quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mundial de Motocross vira Woodstock embalado pelo ronco dos motores.

13/04/2011 - 07h00
Mundial de Motocross vira Woodstock embalado pelo ronco dos motores
Arthur Caldeira
Especial para UOL Esporte
Em Sevlievo (Bulgária)Seja o primeiro a comentar
A previsão do tempo para o último fim de semana na cidade de Sevlievo, a 177 km da capital da Bulgária, era de chuva e temperatura em torno dos 6 C°. Sorte dos 35 mil loucos que viajaram para a “melhor pista de motocross do mundo” que os meteorologistas erraram. O sol apareceu e os torcedores que foram para a primeira etapa do Campeonato Mundial de Motocross puderam armar seu próprio Woodstock, embalado a cerveja, churrasco e ronco dos motores.
O cenário não poderia ser mais propício: a pista de Sevlievo tem a chancela (dada pelos próprios búlgaros) de melhor pista de motocross do mundo, mas como é tradicional no esporte, não tem arquibancadas ou a estrutura comum em autódromos. A filosofia é aproveitar o relevo do terreno para construir os obstáculos e saltos da pista. Por isso, a torcida fica na terra mesmo.
Muitos dos espectadores viajam em motorhomes e dormem em barracas armadas nas montanhas. A cena mais comum era ver famílias inteiras acampadas e grupos de amigos fazendo churrasco e tomando cerveja enquanto os pilotos aceleravam na pista. Esse era o caso de Yanko Kuzmanov, 40 anos, e seus amigos.

Eles viajaram 300 km desde Burgas e chegaram à Sevlievo na quinta-feira. “Sou praticante de off-road e há três anos venho ver o Mundial”, diz Yanko em frente ao motorhome erm que ele, dois amigos e três crianças viajaram. Os seis dividiam o trailer e mais duas barracas no topo do morro que circunda a pista. “Daqui temos uma vista privilegiada. Essa é uma das qualidades da pista de Sevlievo”, diz.

“Jivko Bogdanov já foi tricampeão de motocross no campeonato nacional”, orgulha-se Yanko apontando para um dos amigos. E dá mais um gole na sua cerveja quente – para os padrões brasileiros, já que os búlgaros tomam a bebida em temperatura ambiente. O único dos três que falava inglês (e ainda de forma elementar), Yanko apressa-se em avisar que também já foi piloto. “Mas hoje ando de motos só por diversão, com calma, sem acelerar muito”, brinca.
Programa de casal
Martin Vasilev, 27 anos, fez a namorada Tsvetalina Moteva madrugar para rodar mais de 300 km só para ver as provas principais no domingo. “Saímos de Varna às 5h da manhã”, referindo-se a segunda maior cidade da Bulgária e o maior porto do país às margens do Rio Negro.

Ele é um dos poucos que tem um inglês fluente. Morou na Inglaterra em 2007, aproveitando a abertura que a entrada da Bulgária npara a União Européia proporcionou. Martin é integrante do time Crazy Fox Motors, segundo ele, “a melhor equipe off-road da Bulgária”. O time tinha George Gochev como representante no Mundial na categoria MX2. Junto com Martin, grande parte da torcida ovacionava o jovem de 16 anos todas as vezes em que passava em frente ao morro. O 32º lugar de Gochev não era importante.

Mas o grande ídolo búlgaro no motocross é Petar Petrov, outro jovem de 17 anos, natural de Sevlievo. Petrov já foi vice-campeão europeu e, pelo segundo ano consecutivo, vai disputar todo o Mundial da categoria com uma Yamaha 250cc. “Petrov é um excelente piloto. Pode brigar pelo campeonato”, afirma o otimista Martin. No final do dia, Petrov marcou apenas três pontos, chegando em 18º lugar.

We Love MX
O forte vento levantava muita poeira na pista e também fazia tremular uma bandeira com as cores azul, amarela e vermelha da Romênia, país ao norte da Bulgária. Mesmo à distância, a inscrição “We Love MX” chamava atenção. O porta estandarte era Sebastian Manea, 25 anos, da cidade de Cluj-Napoca, norte da Romênia.

Ele e mais quatro amigos rodaram 800 km até Sevlievo. Não são pilotos, mas são apaixonados por motocross. “Chegamos aqui na sexta-feira à noite e montamos nossa barraca lá no topo da montanha. É minha primeira vez aqui e estou adorando”, dizia ele.

Enquanto ele e Claudius Ilius seguravam firme a bandeira romena, os outros dois colegas foram ao paddock do motocross recolher autógrafos: “Queremos levar daqui muitas lembranças para mostrar para os nossos amigos”, afirmou, enquanto pedia licença para acompanhar a primeira bateria da MX1, vencida pelo francês Steven Frossard da equipe Yamaha.

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